segunda-feira, 22 de maio de 2017

Quem corre por gosto...

Terminei hoje o segundo ano das aulas de Filosofia, sem ter dado uma única falta. Aprendi imenso e para 2018 lá estarei, se ainda cá estiver. Ando cansada e com problemas de saúde que degeneraram em encrencas sem muito bem se perceber como. Enfim, elas não matam mas moem...
Acontece que, apesar de tudo, sou pouco dada à meditação profunda sobre aquilo que deveria ter corrido bem mas correu mal e tenho sempre tendência para acreditar que alguma razão terá havido para me acontecerem certos azares. 
Ora a Filosofia tem a vantagem de nos fazer olhar para nós próprios como um todo - o ser que somos - e para certas particularidades que nos tornam distintos. Aqui tive algumas surpresas. Sobre mim e sobre o "outro" que também sou.
E há pouco, quando entrei em casa e larguei tudo o que trazia nas mãos - quilos, por mais bizarro que pareça - para me meter na banheira e tomar um duche - eureka -, percebi que "quem corre por gosto, não cansa". Ou, dito de outro modo, cansa, mas com um banho, passa!

HSC

sábado, 20 de maio de 2017

A nova moda: o nesting

Quando se tem alguma experiência de vida, é impossível não sorrir face a certas novas modas. Quem assistiu, como eu, ao "make love, not war" e viveu o bastante, para assistir, em seguida, a um outro movimento denominado de "coccooning" - que pretendia mostrar, depois das loucuras dos anos sessenta e setenta, as vantagens de se viver mais em casulo, dentro da própria casa, na qual toda a vida se desenrolava -, já não se surpreende com o que possa surgir, porque sabe que outros modismos hão-de surgir. 
O mais recente way of life faria sorrir a minha avó Joana. Trata-se de uma corrente de bem estar, própria dos jovens millennials, que significa fechar-se literalmente em casa durante o fim de semana, para dedicar todo o tempo a tarefas relaxantes, como fazer trabalhos manuais, tricotar,  cuidar das plantas, ler um livro ou ver séries televisivas placidamente estirado num sofá... e disso retirar imenso prazer.
Confesso-vos que sou praticante e defensora deste tipo de descanso caseiro, que considero cada vez mais apetecível, depois de semanas e semanas de árduo trabalho. E, no meu caso, esta opção vai mesmo para além do descanso, já que ela me permite um encontro comigo própria do qual necessito para o meu equilíbrio espiritual e pessoal, orientado para um autoconhecimento, um olhar interior do qual me não quero desfazer porque me traz uma espécie de re-enfoque a uma vida mais plena e mais feliz. 

HSC

sábado, 13 de maio de 2017

Igreja: um bispo chamado Januário...(10)


"...Depois de anos a anunciar apocalipses sociais, subúrbios em chamas, multidões inanimadas pela fome, andava dom Januário Torgal Ferreira mediaticamente sumido até que Nossa Senhora de Fátima o tirou de tal recato (ainda duvidam de milagres?). Isto para dizer “Escandaliza-me que as pessoas só rezem àquela imagem, que se despeçam dela a chorar, na Procissão do Adeus. Eu nunca me despeço de Nossa Senhora, porque ela está sempre comigo. Aquilo para mim não é nada, é um pedaço de barro!”
Valha-lhe Deus, senhor dom Januário, e Nossa Senhora que, segundo diz, sempre o acompanha o que não é certamente o menor dos trabalhos da Mãe de Cristo! A imagem é de madeira, de madeira dom Januário!!! E tem uma história que me abstenho de contar porque o texto já vai longo mas que o senhor dom Januário ainda vai a tempo de aprender. Acredite que lhe fazia bem."

                                   Helena Matos in Observador

Acontece que dom Januário, além de peregrino, é Bispo Emérito das Forças Armadas e Segurança. Ou seja, tem responsabilidades acrescidas, quando emite opiniões. Pelo menos, enquanto ocupar certos lugares. 
Assim sendo, que dizer mais, além do que Helena já tão bem diz? Acrescentaria, talvez, que estando por lá a peregrinar, melhor seria que se tivesse limitado, apenas, a orar... 

HSC

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Igreja: um peregrino chamado Francisco (9)

Há momentos assim. Decidimos fazer uma coisa e tudo contraria a nossa decisão. Ontem, ao ouvir Manuela Ferreira Leite, sorri. Ela afirmou no seu comentário semanal que, hoje, iria estar de olhos pregados na televisão, com imensa pena de não ter podido ir a Fátima. Sorri, porque tinha decidido fazer, exactamente, o mesmo...
Oxalá ela tenha conseguido cumprir. Eu, pelo meu lado, só consegui ligar o aparelho, na intimidade da minha sala, eram seis horas da tarde e demorei algum tempo a libertar-me do incómodo de não ter podido faze-lo antes.
Mas, uma vez liberta desse peso, segui até à hora em que escrevo estas linhas, todos os passos de Francisco peregrino, que chegou a Fátima como caminhante especial e se recolheu, terminado o terço, sentado ao lado do motorista, vincando bem, com essa atitude, que não queria que a atenção dos orantes se desviasse de Maria. 
Será um pequeno gesto que, muito possivelmente, até terá passado despercebido de muita gente. A mim, tocou-me particularmente. Este Papa tão mediático é, também, o Papa dos pequenos gestos. E, confesso, são estes que mais me comovem, porque justamente são aqueles que mais definem a sua forma de ser representante de Deus na Terra. E, no caso vertente, de ser Filho de Maria!

HSC

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Hei-de perguntar à Lisete, amanhã...

A rotina era sempre a mesma. Saía de casa mal amanhado e ia para o jardim do Principe Real. Agora nem isso, aquilo estava transformado num pandemónio, nem o seu banco lhe deixaram, tão atafulhado aquilo estava. Nem sei porque é que para aqui venho pensava enquanto apertava a banda do casaco, que a manhã estava fria. Era a Lisete que o levava ali. A Lisete quando era viva, pois fora naquele banco de jardim que a conhecera. Ela tinha-lhe sorrido e foi esse sorriso que os havia de juntar. Tanto amor. E o José era a prova, não se lembrava de quando é que o vira, mas sabia que ele estava bem, porque senão alguém havia de lhe dizer que ele estava mal. 
A tosse, esta maldita tosse, que viera com o fim do tabaco, mas ao preço a que ele estava, como não deixar de fumar? Fora isso que o médico do Centro de Saúde lhe tinha dito, que não havia dinheiro para vícios. 
Lá estava o banco cheio de embrulhos, paciência, ia-se sentar no da frente. A Lisete havia de gostar de saber que ele continuava a ir ao jardim dela. Mas este banco apanhava sol e ele queria mesmo era sombra. Sombra? Sombra que bastasse tinha ele lá no quartito onde vivia. Apesar disso, não se mexeu. 
Para quê mexer se daqui a bocado o sol vira sombra, era o que lhe diria a Lisete que já explicara isso ao filho. Será que o Zé também terá explicado o mesmo ao filho dele? Como é que o miúdo se chamava? Parece que era Bernardo, mas que nome mais esquisito. Mas ele não conhecia o garoto, por isso não tinha que o chamar. Se a Lisete fosse viva havia de saber chamá-lo, mas talvez esteja enganado. Hei-de perguntar à Lisete, amanhã...

HSC

terça-feira, 9 de maio de 2017

BB


Acabo de saber que faleceu Baptista Bastos. Era um homem de quem eu gostava e as vezes que com ele contactei revelaram sempre a sua delicadeza para comigo. Era um personagem controverso e isso era também um dos seus encantos. Fazem cada vez mais falta pessoas que pensem de forma politicamente incorrecta. 
Tenho verdadeira pena que tenha partido. À familia os meus sinceros pêsames.

HSC

sábado, 6 de maio de 2017

No Dia da Mãe

"...É por isso que as mães tremem mas não desesperam, têm medo mas não se resignam, choram mas não sucumbem. E se algumas vezes dão a impressão de desaparecer da vida de um filho é só para os fazer encontrar mais fortes no momento seguinte."

                                         In Pastoral da Cultura

Este é um dos poucos dias que tem especial significado para mim, porque ele  evoca as duas mulheres fortes da minha família. Eram guerreiras que nada quebrantava na defesa das suas crias. Não havia medo que as vencesse, apesar de pertencerem a um mundo que, à época, pouco as terá valorizado.
-->
Não importa. Não foi preciso, porque elas criaram filhas e netas que deram corpo à luta que travaram. Neste dia, relembro com orgulho, o caminho que ambas permitiram fosse o meu. À minha mãe e à minha avó Joana, fica o meu eterno reconhecimento por tudo aquilo que, com as duas, aprendi!

HSC